sábado, abril 15, 2006

 

Sentidos e ciclos

Ver, ouvir, tocar, inalar, degustar.
Está tudo ao seu redor, tudo a experimentar, a descobrir. A razão de ser, a essência de todos os seus sentidos, está na existência de tudo o que há. E dominado pelos seus sentidos você se deixa conduzir por todos os caminhos possíveis e busca incessantemente por tudo o que há.

Entender, desentender, gostar, desgostar.
Na sua busca, você encontra de tudo. E esse tudo é tanto, que algumas coisas você nem pára para apreciar ou analisar. Algumas porque você avalia previamente serem desinteressantes, logo à primeira vista. Outras porque o ritmo frenético da sua busca, muitas vezes não lhe permite parar. Mas quando encontra o que procura, ou encontra o que nem você sabia que estava procurando, mas que mesmo assim tem certeza que é o que quer, ou que você pensa ser o que procura, você pára sem nem pensar. Apenas ama e entende assim, de imediato.

Incorporar, expelir, construir, destruir.
Ao encontrar o que procura, você incorpora ao seu ser. Constrói o seu mundo, reforma o já existente ou leva à baixo o mundo anterior pra criar um novo mundo, o seu novo mundo, a sua nova gênese, o seu renascimento.

Gozar, sofrer, rir, chorar.
No seu novo mundo, tudo é prazer, mesmo que sob a dor. Tudo é alegria, mesmo que sob as lágrimas. O céu é sempre azul, cheio de brancas nuvens e estrelas. Mesmo que esteja tudo errado e fora de lugar, mesmo que aos olhos alheios não seja, aos seus olhos é um mundo perfeito, o seu imperfeito mundo perfeito.

Evoluir, involuir, brigar, perder.
O mundo ao redor do seu evolui, você evolui, mas o seu mundo continua intocado de tão perfeito. E você se dá conta de que não é mais possível consertá-lo, pois ele se tornou obsoleto ao seu novo ser, ao seu novo existir. Você resiste à idéia ante ás lembranças que o seu mundo te traz, ante à lembrança dos sentimentos que o construíram, mas que agora também se tornaram obsoletos. E você briga para mantê-lo de pé. Mas os alicerces estão frágeis e desgastados e o seu mundo desmorona sob os seus pés.

Dor, revolta, raiva, tristeza, amargura, desilusão.
Frente à derrota, desabrigado, por muito tempo você se desespera e sofre. Até se conformar. Mesmo não sendo mais constante, a dor, por vezes, ainda o atormenta e você se julga fraco. Fraco por ter desistido, por não ter lutado. Chega a desacreditar os sentimentos que antes foram o alicerce de seu mundo perfeito. Mas na verdade sabe que isso é só um dentre todos os fins que ainda virão. E então se despe das antigas vestes porque sabe que é aí que tudo volta ao começo:

Ver, ouvir, tocar, inalar, degustar.





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